Olá Pessoas!!
Depois da morte do TeoLogicos.com, voltamos pra cá, ao Teo-Logicos.blogspot.com
Pra re-inaugurar, um texto que a Leila escreveu sobre a seguinte música que tem bombado nas igrejas pentecas desse Brasilzão:
http://www.youtube.com/watch?v=aP1YO6o_FjM
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Sabor de Mel?!?!?!?!
Por Leila Mesquita
Com certeza, a maioria de nós já ouviu (infelizmente) a canção “Sabor de Mel”, da cantora Damares.
A questão é: quantos de nós prestamos atenção naquilo que ouvimos e, principalmente, naquilo que entoamos a Deus como louvor?
Vamos fazer uma reflexão em alguns trechos desta música e tentar identificar onde Cristo está nesta letra, afinal, diz-se tratar de uma música CRISTÃ.
A música começa afirmando o seguinte:
“O agir de Deus é lindo... na vida de quem é fiel. No começo tem provas amargas, mas no fim tem o sabor de mel”
Segundo a tradição da Igreja, todos os discípulos de Jesus (com exceção de Judas Iscariotes, que suicidou-se e João, que morreu naturalmente) foram perseguidos, presos, torturados e, por fim, MORTOS brutalmente por causa do nome de Cristo. As mortes incluíram: decapitação, crucificação, enforcamento, apedrejamento, lança, entre outras.
Nos dias do imperador romano Nero, a perseguição era tal aos cristãos, que eles eram lançados vivos nas arenas para serem devorados por leões e outras feras, enquanto o público assistia aos aplausos. Outros eram decapitados, queimados vivos ou torturados até a morte!
Isso sim é o que eu chamo de “provas amargas”!!!
Será que somos mais fiéis do que todos os cristãos mortos durante a perseguição ao Evangelho? Será que somos mais fiéis do que foram os apóstolos Pedro, Tiago, Paulo, André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, etc.?
A menos que, com a frase: “no fim tem o sabor de mel”, a música esteja se referindo ao céu e à glória eterna, (o que não parece ser), pode-se concluir que a idéia de um final sempre doce está completamente equivocada.
É claro que muitos finais, ainda em vida, têm sim “sabor de mel”, mas nem todos (a vida dos apóstolos nos mostra isso). Uma mãe que vê seu filho morrer nas drogas ou aquele que definha até a morte por causa de um câncer, não experimenta um final com sabor de mel (em vida).
E, o que jamais podemos esquecer é que o agir de Deus NÃO está condicionado à nossa fidelidade! Se assim fosse, nenhum de nós receberia dádiva alguma de Deus. Lembre-se que a graça comum de Deus está sobre os justos e injustos. Tudo o que Deus faz é por causa da Sua infinita GRAÇA e MISERICÒRDIA, das quais nenhum de nós é merecedor! Temos sim, que ser fiéis a Deus, mas independentemente de qual seja o nosso fim... se doce ou amargo.
“Eu nunca vi um escolhido sem resposta... porque em tudo Deus lhe mostra uma solução. Até nas cinzas ele clama e Deus atende... lhe protege, lhe defende com as suas fortes mãos”
“E disse o Senhor a Satanás: observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal”. (Jó. 1.8).
Conhecemos a história de Jó. Ele realmente passou por provas amargas, mesmo sendo fiel (palavras do próprio Deus).
Em alguns momentos, Jó questionou a Deus, querendo entender os motivos pelos quais estava passando por tudo aquilo. A partir do capítulo 38 do livro de Jó, Deus lhe dá uma resposta. Mas a resposta não é exatamente o que Jó imaginava que seria. Parafraseando, Deus diz a Jó: “quem é você para questionar o que faço?”.
Sabemos que, no final, Deus restituiu a Jó em dobro tudo quanto ele havia tido. No entanto, Jó JAMAIS obteve a resposta que desejava. Ele jamais soube por que razões passara por tudo aquilo. Jó aprendeu a aceitar a soberania de Deus e também o fato de que nem sempre Deus responde às nossas perguntas.
Outro exemplo bastante pertinente é o do apóstolo Paulo. Em 2 Coríntios 12, vemos que Paulo tinha um “espinho na carne”. Apesar de não se saber ao certo do que se tratava este espinho, logicamente concluímos que era algo que trazia sofrimento a Paulo. Paulo se dirige em oração ao Senhor por TRÊS vezes, pedindo que aquele espinho lhe fosse tirado. Qual foi a resposta de Deus? Parafraseando novamente, a resposta de Deus foi: “não tirarei o espinho, a minha graça te basta!”.
Será que nem Jó, nem Paulo, eram escolhidos? Pois ambos não obtiveram as respostas, nem as soluções que desejavam, não foram atendidos, nem protegidos (segundo a ótica humana). A afirmação que este trecho da música faz, ignora completamente a soberania de Deus e também o fato de que a GRAÇA de Deus nos basta, em tudo e em todo tempo.
Um escolhido que ainda não obteve uma resposta deve se desesperar ao ouvir esta música!
“Deus vai te levantar das cinzas e do pó... Deus vai cumprir tudo que tem te prometido. Você vai ver a mão de Deus te exaltar... Quem te vê há de falar... Ele é mesmo escolhido”
Poxa, com tantos “vai”, Deus deve estar se sentindo coagido a agir... “Deus vai, Deus vai, Deus vai”. Eeeeei, talvez Deus não faça! Deus fará somente aquilo que for a vontade dEle.
Aliás, cuidado com as promessas. O que mais existe hoje são pessoas prometendo em nome de Deus.
“Vão dizer que você nasceu pra vencer... que já sabiam porque você tinha mesmo cara de vencedor”
“Tinha mesmo cara de vencedor”... alguém sabe que cara é essa?
A minha Bíblia diz, em Romanos 8.37: “somos mais que vencedores, POR AQUELE QUE NOS AMOU”... somos vencedores (e, aqui sim, com uma conotação escatológica – glória futura), por causa de Cristo, não porque nascemos com cara de vencedor.
“Quem te viu passar na prova e não te ajudou... Quando ver você na benção vão se arrepender. Vai estar entre a platéia e você no palco. Vai olhar e ver Jesus brilhando em você”
Esta é a minha parte preferida!
Ignorando os erros de concordância verbal e nominal que matam, além do Evangelho, o português, as contradições neste trecho são tantas que seria possível escrever um livro para refutar tais idéias. Mas, vamos nos ater aos princípios básicos do Evangelho.
É comum vermos na igreja os “crentes” cantando este trecho com aquela cara de “oh, doce vingança!”.
Se o que esta música diz, é verdade, podemos rasgar da nossa Bíblia as seguintes páginas:
“Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas”. Mt. 6.14,15.
“Mas eu lhes digo: não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra”. Mt. 5.39.
“Mas eu lhes digo: amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa vocês receberão? Até os publicanos fazem isso! E se saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês”. Mt. 5.44—48.
“Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios”. Rm. 12.10.
“Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior”. Rm. 12.16.
“Se alguém afirmar: “eu amo a Deus”, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: quem ama a Deus, ame também seu irmão”. 1 Jo. 4.20—21.
“Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: “Minha é a vingança; eu retribuirei”, diz o Senhor. Ao contrário: “Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”. Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem”. Rm. 12.17—21.
Acredito que não é necessário dizer mais nada! Os textos bíblicos apresentados aqui (e muitos outros que estão em nossas Bíblias) já refutam, por si só, a TERRORLOGIA desta música.
Os fãs desta música que me perdoem, mas a Palavra de Deus é a lâmpada para os nossos pés e a luz para o nosso caminho.
“Guardei no coração a Tua palavra para não pecar contra ti”. Sl. 119.11
Devemos nos lembrar que músicas não são poemas de auto-ajuda cantados, nem são histórias sobre nós ou sobre os outros. O propósito de uma música que se diz cristã é adorar a Deus, através da glorificação do nome de Cristo.
Devemos ter cuidado com o que cantamos para que, aquilo que aos nossos olhos tenha sabor de mel, não seja amargo como fel aos olhos de Deus.
Leila Mesquita
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